10 minutos ou 2 gols

Futebol com qualidade.

#55 – Ele avisou…

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Ele avisou que ia cobrar e o fez. Novamente, Muricy Ramalho reclamou da estrutura do Fluminense. Campo irregular e esburacado, jogadores tendo que se deslocar até um outro bairro para fazer treinamento físico… Situações que o tri-campeão Brasileiro não conviveu nas passagens por Internacional e São Paulo, respectivamente. E como isso estressa Muricy Ramalho…

A cobrança é mais do que justa. Chega a ser óbvio: se desejam que ele apresente resultados positivos, são necessárias ferramentas adequadas para isso. É assim em qualquer profissão. Nesse caso, os resultados positivos são as vitórias e as ferramentas são campos de treinamento minimamente em condições, academia dentro do CT, refeições idem… e por aí vai.

O mais difícil de entender é o porquê só Muricy Ramalho cobra isso. Muitas grandes equipes no país  não possuem uma infraestrutura adequada. Não vemos, porém, outros treinadores fazendo essa cobrança. Omissão? Em partes. Acredito que não caiu a ficha ainda para os treinadores de que é papel deles cobrarem a diretoria quanto a melhorias nas estruturas. Afinal, como cobrar dos jogadores que cruzem corretamente, se ele treina em um campo esburacado e desnivelado?

Enquanto os treinadores não se voltarem para os dirigentes e dizerem “Amigo, você tá cobrando mas o campo que eu treino é horrível, fazendo com que lesões apareçam…”, nada mudará. Muitos dirigentes não criaram a consciência de que é investindo em coisas básicas que se obtém bons resultados.

Muricy Ramalho não é  tricampeão por acaso. É um cara consciente de que para apresentar um bom resultado em campo, tudo depende das condições que se tem para trabalhar. Muricy é, junto de Luxemburgo, um técnico que trabalha com futebol. A diretoria, que se comprometeu em criar o CT (centro de treinamento), agora corre desesperada para atender ao pedido de seu técnico. O problema é que precisou-se botar a boca nos microfones da imprensa…

 

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20 de fevereiro de 2011 at 0:28

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#54 – Sai Ronaldo, entra Neymar

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Era para serem dois posts. Um sobre a sub-20, outro sobre o adeus de Ronaldo. No entanto, algo me chamou muito atenção e resolvi juntar tudo em um só texto. Fui obrigado a isso dada a proximidade dos fatos. Ocorre que, ao passo que perdemos um ídolo do futebol brasileiro como Ronaldo, ganhamos potenciais ótimos jogadores – sendo que um deles, Neymar, desponta como um novo “fenômeno” do futebol.

A Seleção brasileira sub-20 arrematou no último sábado o título de uma competição onde foi o tempo toda superior – exceção feita ao jogo contra a Argentina. Com futebol leve e bonito, o time comandado por Ney Franco garantiu a vaga às Olimpíadas de 2012, em Londres.

No domingo, porém, recebemos a triste notícia de que Ronaldo não jogaria mais futebol. Chateado pela exacerbada cobrança de parte da torcida, sem mais forças para lutar contra uma nova contusão (coxa esquerda), o fenômeno tomou a dura decisão de parar de jogar.

Nesse misto de alegria e tristeza, fica o alento de que somos disparados o maior produtor de talentos desse planeta – fato comprovado no sul-americano. Capazes de produzir, ao mesmo tempo, potenciais craques como Neymar, Lucas e Oscar e jogadores de bom potencial como Casemiro, Bruno Uvini, Fernando e etc.. Temos a nossa frente uma “geração de ouro”.

Devemos sim sempre reverenciar um jogador do quilate de Ronaldo. Todavia, não devemos nos entristecer a ponto de esquecer que um novo craque surgiu. Neymar é o maior artilheiro de um Sul-americano sub-20 na história e, mesmo com uma precoce carreira, já acumula grandes partidas. Se é marrento, abusado, irresponsável…isso não faz diferença. Fato é que o jogador Neymar é craque.

Dono de dribles  desconcertantes, arrancadas de tirar o fôlego  e com os recentes sinais de amadurecimento, Neymar tem tudo para suceder Ronaldo no posto de melhor jogador do futebol brasileiro. Bola ele tem, basta manter a cabeça no lugar.

Ronaldo é também craque, é gênio, incomparável…tudo quanto é adjetivo (positivo). O melhor atacante que vi jogar. Deixará saudades, mas bola pra frente e olho nessa garotada.

Written by dezminutosoudoisgols

16 de fevereiro de 2011 at 5:52

#53 – Beluzzo e a imprevisibilidade do futebol

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Ao ser eleito presidente do Palmeiras, no dia 27 de janeiro de 2009, Luiz Gonzaga Beluzzo tinha grande prestígio dentro do clube e era apoiado por muita gente, inclusive da imprensa. Candidato da situação, ele derrotou o opositor Roberto Frizzo em uma eleição acirrada e assumiu o posto de Affonso Della Monica. Renomado economista, Beluzzo era a esperança de bons tempos no clube do Palestra Itália.

Mas, nesse biênio em que comandou o Palmeiras, o economista Beluzzo se deparou com uma realidade muito diferente daquela que aprendeu nos tempos de faculdade: futebol, diferentemente de economia, não é uma “ciência” nada exata. O ex-mandatário aparentemente fez tudo correto, investiu na Arena Palestra, trouxe Valdivia, Kléber e até Felipão. Não adiantou.

Dois mil e nove foi ano mais emblemático. Era o primeiro de Beluzzo à frente do clube e para surpresa de muitos o time brigava pelo título do Campeonato Brasileiro. À frente da equipe estava Vanderlei Luxemburgo, um dos melhores técnicos do país.

Nas rodadas iniciais, porém, após a conturbada saída de Keirisson, Luxa não agüentou e foi mandado embora. Após uma pequena novela, Muricy Ramalho foi contratado e o time rumou aos primeiros lugares. Ótimo investimento da diretoria que contratava o atual tri-campeão do torneio.

E tinha tudo para dar certo. Tinha. Mesmo com um experiente e talentoso técnico no banco e a permanência dos principais jogadores à época – Diego Souza, Cleiton Xavier e Pierre – o Palmeiras entregou o título para o Flamengo e, na última rodada, acabou fora dos classificados para a Libertadores do ano seguinte. Desastre total para o clube cuja administração havia investido um caminhão de dinheiro naquele ano.

Veio então 2010. Um ano ruim para o clube, ficando fora da segunda fase do estadual,  de uma campanha ruim na Copa do Brasil, desastrosa na Sul Americana e de um time irregular no Campeonato Brasileiro.  Sem dinheiro e sem apoio da Traffic (parceira do clube que investira tudo no ano anterior), Beluzzo voltou-se para os “Eternos Palestrinos”, um grupo de bem-sucedidos torcedores que ajudaram nas contratações de Kléber e Valdívia. Mas foi pouco. Os dois mais recentes ídolos alviverdes não contaram com parceiros de qualidade e o Palmeiras foi um time fraco. Financeiramente o clube penou para manter os salários em dia, tendo, inclusive, que conviver com atritos entre diretoria e jogadores.

No último mês de janeiro, Beluzzo deixou o cargo desprestigiado, criticado e ainda viu um candidato da oposição assumir seu antigo posto – Arnaldo Tirone. Em entrevista, disse que “se pudesse voltar no tempo, jamais aceitaria” o cargo de presidente. Palavras de uma pessoa magoada.

Para mim, Beluzzo pecou em não ser mais rígido com a Traffic. Deveria – e assim se espera do novo mandatário – exigir, com o perdão da redundância, mais parceria da parceira. Faltou voz ativa nos momentos de atrito entre membros da diretoria e jogadores. Esse é um dos papéis essenciais de um presidente, apaziguar quando necessário. E faltou sorte também, porque não. Afinal, quem advinharia que Vágner Love viria da Europa sem jogar absolutamente nada? Que um título 99% provável escaparia nas rodadas finais devido a uma categórica pipocada dos principais jogadores?

Luiz Gonzaga Beluzzo sentiu na pela o quanto o futebol – diferente das ciências exatas das quais é perito – é imprevisível.

 

Written by dezminutosoudoisgols

4 de fevereiro de 2011 at 3:43

Publicado em Palmeiras

#52 – Ele chegou

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De antemão aviso que não vou me ater à famigerada pergunta: “Qual Ronaldinho chega ao Flamengo?” Isso porque já sabemos quem é e como está o dentuço: esporádico, longe da forma ideal, mas, ainda assim, um jogador diferente.

A longa novela que se tornou a negociação acabou melhor para o Flamengo. Grêmio e Palmeiras, para mim, foram amadores. O primeiro por acreditar em um “fajuto” amor de Ronaldinho pelo clube que o formou. Triste engano. E o Palmeiras pelo fato de ter recebido o “ok” e não assinado nada, acreditando na palavra de um empresário que de hora em hora mudava o discurso. Sem falar que, havendo um atraso no acerto de três dias, o Gaúcho estaria agora treinando ao lado de seu chará apelidado de Fenômeno…

Independente do clube, a chegada de Ronaldinho ao futebol brasileiro é sensacional. Por tudo o que fez – e se reduzisse as idas aos pagodes teria feito mais – Ronaldo dá mais charme a esse campeonato cada vez mais vistoso que é o Brasileirão. Sua presença atrai mais torcedores, patrocinadores, dá aquele ânimo de ver uma partida de futebol. Enfim, sua presença atrai o mundo.

Que não se espere AQUELE Ronaldinho melhor do mundo quando atuava pelo Barcelona. Esse já se foi há tempos. “Contentem-se” com um jogador de toque refinado, dribles desconcertantes, malabarismo e afins… o que por essas bandas já é muito.

Ele chegou e tomara que mostre dentro do campo o suficiente para justificar esse verdadeiro leilão e toda essa movimentação de imprensa e torcedores.

 

Written by dezminutosoudoisgols

13 de janeiro de 2011 at 5:16

Publicado em Flamengo

#51 – Corinthians acertou em não vender Defederico

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Buscando ressarcir a ausência de textos, começo o ano tratando de alguns assuntos que achei interessante. O primeiro é sobre Defederico:

Já escrevi aqui no blog sobre Defederico e citei no post (http://wp.me/pSiha-S) em questão o fato dele não ter produzido nem metade do que o Corinthians esperava quando pagou R$ 6 milhões para o modesto Huracán-ARG.

No entanto, ao longo desse ano e meio, deu mostras de que tem potencial. E o motivo desse suposto potencial não ter aflorado não se sabe. Talvez a cidade, treinadores ou sorte mesmo. O futebol está cheio de situações semelhantes onde atletas destacam-se por times de menor expressão, mas ao chegarem a um clube de massa (talvez mais um fator) não vingam. Só para citar alguns exemplos: Vitor, ex-Goiás, atualmente na reserva do Palmeiras; Maicosuel (Ex-Cruzeiro e Palmeiras), titular incontestável no Botafogo; Acosta, ídolo no Náutico fracasso no Corinthians e por aí vai….

Durante o final do ano passado especulou-se sobre uma possível venda do argentino. Vejo como um grande acerto o Corinthians não tê-lo vendido, pois acredito que Defederico tem algo a oferecer ainda e só precisa de tempo para aprender a lhe dar com a pressão. Não desaprendeu a jogar bola.

O empréstimo para o Independiente foi, de fato, a melhor alternativa. O baixinho se diz apaixonado pelo clube e estará na condição de principal jogador (todos os dias, desde sua chegada, o Olé noticia algo sobre ele), o que pode lhe trazer a confiança de volta. Disputar a Libertadores da América também será outro fator que só irá agregar.

O aparente passo a trás que Corinthians e Defederico dão agora, muito provavelmente, trará frutos posteriormente. Defederico pode voltar diferente, jogando com mais tranqüilidade (algo que visivelmente nunca fez) para , quem sabe, deslanchar. Há a possibilidade ainda da diretoria, diante de um bom desempenho no Independiente, optar em vendê-lo, recuperando assim um investimento outrora errado.

Trata-se de um jogador jovem e que pode render muito mais. Com paciência, tem potencial para ser um bom jogador.

Written by dezminutosoudoisgols

12 de janeiro de 2011 at 5:13

Publicado em Corinthians

#50 – Os números de 2010

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O resumo do ano desse blog!:

Os duendes das estatísticas do WordPress.com analisaram o desempenho deste blog em 2010 e apresentam-lhe aqui um resumo de alto nível da saúde do seu blog:

Healthy blog!

O Blog-Health-o-Meter™ indica: Este blog está em brasa!.

Números apetitosos

Imagem de destaque

Um Boeing 747-400 transporta 416 passageiros. Este blog foi visitado cerca de 1,400 vezes em 2010. Ou seja, cerca de 3 747s cheios.

 

Em 2010, escreveu 49 novos artigos, nada mau para o primeiro ano! Fez upload de 10 imagens, ocupando um total de 6mb. Isso equivale a cerca de uma imagem por mês.

The busiest day of the year was 26 de setembro with 61 views. The most popular post that day was #40 – Em palestra na Uninove, assessor do Santos dá uma nova versão sobre demissão de Dorival.

De onde vieram?

Os sites que mais tráfego lhe enviaram em 2010 foram twitter.com, mail.yahoo.com, maisqueabola.blogspot.com, orkut.com.br e alphainventions.com

Alguns visitantes vieram dos motores de busca, sobretudo por paulo henrique ganso, robinho, paulo henrique ganso e neymar, ganso e neymar e projeto do estadio do corinthians

Atracções em 2010

Estes são os artigos e páginas mais visitados em 2010.

1

#40 – Em palestra na Uninove, assessor do Santos dá uma nova versão sobre demissão de Dorival setembro, 2010
5 comentários

2

#14 – É jogo do Santos? Então tem jogo bom! maio, 2010
2 comentários

3

#4 – Estádio “Verde” é esperança para clubes capixabas entrarem no cenário nacional abril, 2010
1 comentário

4

#33 – Agora vai Robinho? setembro, 2010
2 comentários

5

#32 – A famosa Rua Javari agosto, 2010
2 comentários

Written by dezminutosoudoisgols

2 de janeiro de 2011 at 18:23

Publicado em Outros

#49 – Assombrou!

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Isso aqui é trabalho, meu filho!

Isso aqui é trabalho, meu filho!

Dia 03/06, aqui nesse mesmo blog, escrevi um post denominado Assombração (https://dezminutosoudoisgols.wordpress.com/2010/06/03/17-assombracao) , onde relatava minhas impressões com o inicio de campeonato do Fluminense. O título do post fazia referência direta a Muricy Ramalho, que já ajeitava as coisas nas Laranjeiras e dava mostras de que a equipe por ele comandada daria trabalho aos demais adversários.

Não deu outra. O Brasil tem que se render, pela quarta vez, ao melhor técnico do país. Com maestria, Muricy Ramalho regeu um time mesclado de estrelas e coadjuvantes. Soube controlar Fred, fez de Conca o principal jogador do país e aquietou Washington.

O Fluminense é merecidamente campeão brasileiro de 2010. Naquele post de 03 de junho, escrevi que seria essencial manter os jogadores na janela e encorpar o elenco. E assim foi feito. Alan foi o único vendido e chegaram Belleti e Deco. Esse último, aliás, que mesmo sem jogar tudo o que sabe, com as seguidas contusões, não fez tanta falta ao Flu.

Inquieto como sempre, certamente Muricy Ramalho já planeja o ano de 2011, quando seu time entrará como um dos favoritos ao título na Libertadores. Os reforços devem ser pontuais. A Unimed já gastou muito com Fred, Deco e Emerson…. injetará mais dinheiro?

O “Rei dos Pontos Corridos” tem como desafio conquistar a Libertadores da América. E se conseguir dirá: “Isso aqui é trabalho, meu filho!”

 

Twitter: @FabioNohbrega

 

Written by dezminutosoudoisgols

6 de dezembro de 2010 at 3:19

Publicado em Brasileirão, Fluminense